Luciano Sheikk

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Inversos

A poesia de Luciano Sheik nos deixa o legado, nestes seus novos escritos de linguagem e estilos alimentados por toda uma geração. 

Essas derivações são devaneios que devoram a marginalia figura do ser humano. Um recanto que revela um autor maduro com relação ao seu primeiro trabalho, “Coisas da Janela”, o que é um processo natural. INVERSOS galopeia por caminho de versos onde o autor depura ironia e vertentes do sonho mesclados a uma realidade interpretativa bem brasileira.
Navegando por este afluente o autor não deixa de lado, como não poderia deixar de ser, o amor (mesmo que provisório) e seus lirismos.
A sensibilidade de Sheik é um andarilho em busca de sua musa, pontes eus.

Dentro desta realidade, ser poeta, num País carente (onde milhares morrem esfomeados) é ser a antena do cotidiano. Tecer palavras significa sofrer com a razão, conclusão que não cicatriza, mas assusta.
Nesta superfície global, a palavra é um moinho d’água que serve como consolo, mesclando a sede de lutar com as barreiras do mundo.

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Luciano Sheik, poeta moderno e consciente, dotado de extraordinária sensibilidade, que estabelece potes de intensa e fácil comunicação com os leitores e se insere entre aqueles que, através dos caminhos mágicos da poesia, buscam uma linguagem atualíssima que lhes permita transmitir suas mensagens de artística, teria que ampliar sua oficina poética, depois de “Coisas da Janela” e “Procuro-me”, seus primeiros livros, para trazer-nos “Inversos”, prova de que sua inspiração continua em plena forma, deixando antever, em seus poemas, neste novo livro, a sua lucidez poética e a face da evolução positiva de sua poesia.

A gente nota, facilmente, em “INVERSOS”, além do estilo e comportamento criativo, uma real preocupação em ter a poesia como fonte de vida. Por outro lado, envereda-se ao autor pelos caminhos de uma temática que abrange o mundo cotidiano, o momento de situar-se nos sonhos amorosos, também abrangendo uma parcela transparente de ironia na parte III – “Poema Etílico e seus derivados”. “Inversos” ressaltemos divide-se em três partes, sendo que as duas primeiras se intitulam: “Uma Parte” e “Poemas Pagãos”.
Luciano Sheik, com especial presteza, submete os temas à sua feição, burilando as palavras com expressiva facilidade e um jeito moderno e pessoal de fazer poesia.
O inteligível e o sensível não se contradizem na poesia de Sheik, se empenham, e muito, para se universalizar e materializarem-se em seus poemas: “Sou a Minha Própria Superstição. / A minha Sombra e Mais Clara que Eu. / É mais convicta. É mais Certa/ E sabe variar perfeitamente. /Sou Diferente de Mim Mesmo”... “No Palácio Recanto/ De Sua Consciência/Vive O Homem. /À Parte Isso, /Ele se Interpreta.”

De repente, o autor corre o grande risco, como Fernando Pessoa, de ter varias identidades, e pretende, no homem, uma transformação total: “Se quiserem me conhecer/Sou Vírus, /Têm Que Me Isolar. //Sou Vários. /Se quiserem me isola/Têm que me conhecer. //Sou Planária. /Se Me Dividirem/Sou Vários. //Sou Apenas Alguns/Dos Vários. /Pensando Mais/Não Sou Nenhum, /Além de Mim.” E mais:... “Se Soubesse quem fui/Talvez Compreendesse quem sou. /Sinto Que Fui e Não Sei o Que Serei. /Bem Que Fui Vários, Desconfio, / E Injustamente Não Os Sei. /Ser Novamente Sem Saber Quem Fui/Anula a Validade de Ter Sido”.
Sinceramente, este livro (Inversos) é, acima de tudo, pela qualidade e proficiência do seu autor, um jovem com grandes aspirações, que tranquilamente nos diz as coisas numa linguagem rica de intenções, o reconhecimento da universalidade e onipresença da poesia. E o importante é que, nele, Sheik se movimenta consciente e absoluto dentro de seus versos, dentro de sua poesia. Assim, aqui, só um caminho temos que tomar: aconselhar urgentemente a leitura de “Inversos” a todos que amam a poesia.
É a nossa recomendação.

Zanoto - Editor de Diversos Caminhos do Jornal CORREIO DO SUL
Varginha, 18.11.90



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PREMEDITAÇÃO

Esperando teu ser
Para tê-lo em mim
Em ti meu laço joguei.
Ao Capturar
Corri para ver
E o laçado era eu.


POEMA SEM TÍTULO

 

Por trás desse asfalto                                                               

Há nos salões terno e salto alto                                                       

Bebida e o de comer

Gorjeta e chofer.


Debaixo desse asfalto
Há fósseis humanos demais
Fotossíntese a menos,
Barriga d’água e carrapato,
Zinco pelos morros esparramados,
Pães ausentes e sonhos adiados.

Todo asfalto é necessário,
Quando nos leva
A outro lugar,
Adiante e a todos.

 



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Tenho acompanhado a carreira literária de Luciano Sheik desde o primeiro livro e é por isso que, na altura deste seu terceiro, “Inversos”, registro com satisfação a calada do seu talento e o início da cristalização de sua maturidade.

Eu, um prosador, sempre vi a poesia como gênero meio foro do meu alcance. Primeiro, por nunca ter conseguido alinhavar dois versos; segundo, por selecionar muito minhas leituras nesse campo literário. Não sou um voraz leitor de poesia como o sou de prosa, mas o meu senso seletivo sempre me guiou para alguns mestres incontestáveis (e não há, aqui, necessidade de citá-los).

Disso ficou, em mim, a idéia nuclear de que a poesia é antes de tudo, vocação e força metafórica. Sem vocação não se faz poesia de bom nível assim como, sem beleza plástica, ela morre num amontoado de signos. E isto tanto vale para poetas maduros como para criadores com menos de trinta anos, como é o caso de Luciano Sheik.

O AUTOR DE “Inversos” carrega consigo esses dois elementos fundamentais. Gostei particularmente de seus poemas de cunho social e os de feitura metafórica. Gostei de perceber, no poeta, o auto-senso que limpa os versos de arroubo e os faz substantivos e claros. Como gostei, no plano geral, da continuidade de seu estilo.
Resumindo: eu gosto de “Inversos”, um livro que traz a carga e o estopim que irão detonar, um dia, essa coisa chamada Sucesso de autor. Tenho absoluta certeza. E assino.

Duílio Gomes

 

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