Luciano Sheikk

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Jovens para sempre

 Um retrato do artista, quando na década de 80.


por Luís Eustáquio Soares*

Jovens para sempre é um romance de formação referendado pelo plutonismo, pela agitação, a um tempo perigosa e utópica da década de 80, a partir da qual o Brasil, ou no Brasil, ser um jovem estudante universitário era bem mais que especificamente investir em seu futuro pessoal, individual - como tragicamente nos acontece, hoje -, mas antes uma forma de se fazer, de costurar, tecer e entretecer sua identidade, e seus projetos de independência financeira e de conquista amorosa, tendo em vista a participação política, a inserção comprometida no e pelo coletivo, num Brasil em que o começo do fim da ditadura exigia, da juventude, das chamadas classes médias, força, esperança, capacidade de lutar, não só por um país mais justo e democrático, mas também por novas maneiras de viver o amor, de experimentar as amizades, de se relacionar com as diferenças sexuais, culturais e econômicas. Uma década em que o caldeirão , ou o cadinho alquímico, com sua alta temperatura capaz de metamorfosear , misturando tudo com tudo, fervilhava um Brasil de sonhos, que se pretendia servir de modelo multicultural para uma humanidade esgotada e emparedada por intolerâncias de toda espécie.

É no interior dessa fabulosa década de encontros de opostos, do pensar e do agir, do trabalhar e do celebrar, do cerebral e do manual, do individual e do coletivo, que o romance de Luciano Sheikk se situa, e muito especialmente a partir da Universidade Federal de Viçosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, palco de um cenário que vai nos colocar diante do processo de formação universitária, artística, política e humana de Maino, o protagonista que se apaixona por Cristiane, uma outra estudante, e com ela vive um romance que não os encerra em si mesmos, mas muito pelo contrário os convoca a participar da trama do mundo, pois ambos personagens , na mesma medida em que vão mergulhando no amor, são também empurrados para intervir nas contradições autoritárias, hierárquicas e patriarcais - ranço ainda dos fantasmas da ditadura – seja das ralações entre reitor, professor / aluno, ensino-aprendizagem, no que tange ao contexto da universidade, estudantes que são, seja no que se refere à estrutura falocêntrica das famílias, principalmente da de Cristiane, cujo pai vai colocar toda sorte de obstáculos , machistas, certamente, para inviabilizar o seu namoro com Maino.

Seguindo a linha dos romances de formação, um pouco no rastro de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, ou Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce, ou ainda do Paradiso, do cubano José Lezama Lima, todos, no fundo e no raso, narrativas que tratam do processo de formação do artista, Jovens para sempre, primeiro romance de Luciano Sheikk, relata as peripécias e dificuldades de Maino, através das quais o artista – Maino, na narrativa, é autor e ator - vai emergindo a partir das ruínas de uma sociedade estruturada em torno de instituições caducas e conservadores.


Nesse sentido, são os obstáculos, as adversidades políticas, econômicas, educacionais e familiares de um país pós-ditadura que vão definindo o horizonte ético e estético de Maino, preparando-o, nadando contracorrente, para tornar-se um ator multifacetário, dividido entre o palco, a necessidade de terminar o curso universitário e o compromisso com a história amorosa com a personagem Cristiane.

Inspirado pela batida musical, poética, política, cosmopolita e utópica de Chico Buarque, Led Zeppelin, Beatles, Janis Joplin, Titãs, Jimi Hendrix, Che Guevara, Paulo Leminski, Fernando Pessoa, Beatles, Raul Seixas, Rolling Stones, Clube da Esquina, Djavan, 14 Bis, Erick Clapton, Bob Dylan a turma da tropicália, entre outros, o protagonista, diante das adversidades, acumula forças para dar conta de abraçar o mundo, já que se trata literalmente disto, abraçar o mundo, se multiplicar, ser muitos: ser estudante, em termos de enfrentar o desafio de terminar, da melhor forma possível, o curso universitário; ser apaixonado, vale dizer, não descuidar da vivência amorosa; participativo, sob o ponto das políticas universitárias, das políticas nacionais e internacionais; e, a um tempo, ser ator, capaz de viver sua formação artística acumulando todos os perfis e, portanto, abraçando, o mundo.

No decorrer da narrativa, o mundo, no entanto, vai ficando cada vez maior, o mundo universitário, o mundo da família, o mundo da cidade, o mundo artístico, o mundo das amizades, o mundo do universo píquico-afetivo da personagem Cristiane, a qual, após ter ficado grávida de Maino, torna-se uma figura feminina convocada, e o faz, a abraçar novos mundos, a sair, enfim, da estreiteza do ambiente patriarcal, dentro do qual ela é, apenas, a filha, ou a namorada de Maino, para se fazer como mulher, dotada de uma esfera subjetiva mais complexa, sendo capaz de construir, como sujeito feminino, sua própria história afetiva e financeira, dona de seu destino, independente das intervenções masculinas.
Diante de um mundo muito maior , portanto, o abraço precisa de braços gigantes. A cidade já não é, sob a perspectiva de Maino, a cidade universitária de Viçosa, ou a sua cidade natal, mas é também o Rio de Janeiro, lugar onde ele procura construir sua carreira de autor e ator. Os lugares se multiplicam, o que exige, dos personagens, capacidade e coragem para tomar decisões mais arriscadas, audaciosas, embora sempre referendadas por instâncias éticas, conforme o código comportamental da década de 80, a partir do qual ser é ser afetivamente, intelectualmente, profissionalmente, relacionalmente, politicamente. É ser muitos em um.

O mais relevante, no entanto, em Jovens para sempre, é que, como romance de formação, fundado sob signo do dinamismo, da referência ética, da perspectiva do inacabamento, já que somos seres inacabados, posto que nunca estamos prontos, visto que nada é definitivo, enfim, diante dessa narrativa de formação, de Luciano Sheikk, ou tendo em vista a profusão de novos desafios nos quais os personagens são lançados, Maino e Cristiane também se multiplicam, tornam-se muitos, mais preparados para enfrentar um mundo adverso e, sob muitos aspectos, inóspito.
Nesse sentido, Jovens para sempre nos mostra que estudar não é apenas adquirir um diploma, ou estar apto, ser competente, para exercer uma profissão, mas, muito mais, é antes de tudo ir se melhorando e se refazendo de modo multidimensional, vale dizer, intelectualmente, afetivamente, socialmente, politicamente, culturalmente, subjetivamente. Exatamente é o que acontece com Maino e Cristiane, no decorrer da narrativa.

Para tanto, é preciso ser estudante para sempre, e, portanto, jovens para sempre.

*Luís Eustáquio Soares é poeta e escritor, autor de Paradoxias e Cor Vadia e doutor em Literatura Comparada, pela UFMG.

 

 

 

" Seu livro tem um enfoque certamente inovador, que traz à luz questões que envolvem amor, liberdade, mudança, educação, espiritualidade...
Os motivos são tratados de forma leve, o que proporciona ao leitor uma leitura fácil e prazerosa.
Sem dúvida um livro dedicado a todos que desejam melhorar a qualidade de seus relacionamentos, criando laços de amor com os outros, consigo mesmo e com Deus."

Imaculada Drummond

Professora de Literatura

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jovens para sempre apresenta uma história de amor entre dois jovens que desejam transgredir os limites da carne em busca de uma transcendência a partir da realidade, a realidade que mostra um brasil também violado nos campos mais bugres de sua geografia, onde mais que lendas de jovens que levantam bandeiras de esperança, lançadas no mormaço dos anos 80, há embaraços e armadilhas para os olhos que penetram o campo das palavras de maino, este nome que poderia ser pedaços de macunaíma, a começar na letra que é sonora, por que traz a índole de quem escreve a partir de uma aldeia de êxodos, vivo e redivivo no mesmo espaço e tempo, um nome que assume sua condição de ser humano a trabalhar a vida no mundo como diamante reluzindo verdades, mesmo configurado na ideologia, maino é uma espécie de sangue indígena que resiste, o mais crescente desejo de construir os sonhos como ampolas de êxtase, mais que romance, jovens para sempre é um só clímax, clímax de minas para o brasil, biografia de invenção de um poeta, álibi para uma geração nada acéfala.

Wilmar Silva

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O livro Jovens para Sempre foi lido, debatido e autografado no Colégio Magnum Agustiniano de Buritis, em Belo Horizonte, em 2009.

 

 

 

 

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